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Tempos difíceis para o mercado de trabalho

Por Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP


Já se foi a época em que bastava a economia crescer para sabermos que haveria geração de empregos formais com carteira assinada. Hoje isso não é mais verdade, e a razão é o uso maciço de novas tecnologias, não apenas robôs e equipamentos de automação, mas também celulares e seus apps, incrivelmente eficientes. Este fenômeno ficou evidente com as altas taxas de desemprego que predominaram em praticamente toda Europa em 2022 e que agora diminuíram um pouco, mas ainda permanecem acima de 7% em países como a França, Espanha, Itália e Grécia, entre outros.


Interessante que o primeiro diagnóstico, entre 2021 e 2022, colocava a culpa justamente na pandemia e nos problemas que os lockdowns causaram nas cadeias de valor. A falta de componentes e peças vitais para a indústria era considerada a causa número um da inflação e do crescimento das taxas de desemprego.


Nos últimos meses, análises mais aprofundadas começaram a ser feitas, principalmente na Europa, e se descobriu, por exemplo, que tanto em 2021 como em 2022 houve quebra do recorde de venda de robôs e o mercado de trabalhadores de aplicativo explodiu no mundo inteiro.


Segundo a Federação Internacional de Robótica, em 2021 foram vendidos quase meio milhão de robôs pelo mundo e, com isso, o número de robôs em operação superou os 3,5 milhões. Ainda não foram divulgados os números de 2022, mas sabe-se que o crescimento foi ainda maior.


Também em 2021, a McKinsey, considerada a mais importante empresa de consultoria do mundo, divulgou dados sobre a chamada Gig Economy – aqui chamada de economia Uber ou economia dos aplicativos. Esses dados constatavam que mais de um quarto dos trabalhadores norte-americanos já eram trabalhadores de aplicativos e recebiam a demanda por seu trabalho através de algum app.


O fato é que esse processo é irreversível, a ponto de Dani Rodrik, professor de Harvard e considerado o economista que mais publica e impacta no mundo, ter dito em entrevista recente ao Estadão que já não adianta fazer política industrial orientada para empresas grandes e exportadoras, pois estas deixaram de gerar emprego. Ou seja, a automação atingiu proporções enormes.


Até recentemente pouco se questionava o emprego de tecnologias que eliminavam empregos. Isto porque, em geral, novas tecnologias aumentam a produtividade da economia como um todo, e acreditava-se que ao mesmo tempo que algumas profissões eram eliminadas outras mais novas estavam sendo criadas. O fato é que, com o barateamento acentuado e massificação do uso dos equipamentos de automação, poucas atividades ficam imunes. Sem contar que, com a chegada da inteligência artificial, agora os empregos de alta qualificação também estão sendo afetados. Médicos, advogados, jornalistas estão assustados com o avanço da IA em suas profissões.


Mais do que outras nações, o Brasil precisa se preparar para esses novos tempos que os americanos chamam de jobless growth  – crescimento sem emprego. Isso porque nosso país já possui 40% do total de trabalhadores ligados ao mercado informal. São cerca de 39 milhões de pessoas que trabalham sem carteira assinada e sem direito a qualquer proteção: não possuem convênio médico, não têm direito nem ao FGTS, nem à Previdência ou ao 13º salário. Se adicionarmos os que estão desempregados, vamos chegar à metade da força de trabalho brasileira. Sem dúvida, uma situação gravíssima que demanda uma urgente e imediata política de geração de empregos por parte do governo federal.


O pior é não fazer nada e achar que o mercado vai resolver esse enorme problema. Esperamos que a economia volte a crescer vigorosamente o quanto antes, mas se não houver uma política governamental centrada na geração de empregos formais, veremos o aumento ainda maior da taxa de desempregados e da informalidade. Daqui para frente, emprego formal será cada vez mais difícil.


 
 
 

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