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A importância do envolvimento das empresas brasileiras com as questões sociais

Por Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP



No final do século 20, um dos executivos britânicos mais proeminentes, John Elkington, passou a defender o conceito de que as empresas nunca poderiam deixar de se preocupar nem com sua rentabilidade nem com o aumento do valor de suas ações, mas, ao mesmo tempo, deveriam se voltar para a redução dos problemas ambientais e sociais do planeta. Graças a ele, pouco depois surgiu o conceito de ESG (Environmental, Social, Governance), que em português refere-se a “Meio Ambiente, Questões Sociais e Governança”.


Em 2020, Larry Fink, fundador do Black Rock, o maior fundo de gestão de recursos existente, que administra US$ 10 trilhões, determinou aos seus executivos que, ao decidir comprar e investir em ações de empresas, dessem total prioridade àquelas que realmente tinham compromisso com as causas sociais.


Outro financista famoso é Klaus Schwab, responsável pelo WEF – World Economic Forum, instituição que, entre inúmeras atividades, promove todo ano o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, reunião que costuma contar com mais de três mil pessoas, entre os principais chefes de Estado e os executivos que comandam as duas mil empresas mais importantes. Em uma das últimas reuniões, Schwab fez um pronunciamento que se constituiu em um marco no mundo corporativo, ao afirmar que as grandes corporações precisam se conscientizar de que elas têm um importante papel social a cumprir ao mesmo tempo em que buscam aumentar seus respectivos lucros.


Claro que tanto Fink como Schwab estão preocupados com a pobreza que atinge quase 60% dos habitantes do planeta. Mas, além de suas preocupações humanitárias, ambos estão preocupados com o fato de que o sistema capitalista, para não sucumbir, precisa gerar consumidores.


Hoje está evidente que, se o número de consumidores no mundo aumenta, fica muito maior a chance de as empresas, como um todo, se darem muito bem e conseguirem fazer crescer sua rentabilidade e seu valor.


Mais recentemente, Schwab divulgou um manifesto em defesa do capitalismo e passou a pregar uma mudança no conceito tradicional das corporações — o de “empresas de acionistas” (shareholders companies) — para que se tornem “empresas de stakeholders”. Estas são as que possuem em seus respectivos conselhos de administração não apenas os habituais acionistas, mas também outros protagonistas, como os empregados e representantes da própria sociedade.


Felizmente, não faltam iniciativas por parte do setor privado brasileiro destinadas a contribuir com as mazelas sociais de nosso país, que não são poucas. Empresas como Ambev, Natura e Gerdau introduziram projetos sociais entre suas atividades mais importantes. Uma ONG brasileira, a “Gerando Falcões”, é considerada um exemplo mundial de eficácia no tema da melhoria das condições de vida de moradores de favelas. Na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, passamos dois anos acompanhando de perto sua atuação e comprovamos que ela é muitas vezes mais eficiente que as prefeituras e governos estaduais que realizam o mesmo trabalho. Nossa conclusão é que boa parte dos problemas sociais, para sua solução, precisa de boa gestão, no que o setor privado em geral é muito competente.


Mas muito mais poderia ser feito no Brasil se as empresas contassem com políticas públicas e incentivos fiscais como existem em boa parte dos países desenvolvidos, onde elas podem abater de suas obrigações tributárias os gastos com as atividades em prol do meio ambiente e da melhoria das condições de vida das populações carentes.


Por outro lado, não podemos imaginar que caiba apenas ao governo a solução das mazelas sociais que assolam o País. As empresas têm muito a ganhar quando parte da população deixa a zona de pura sobrevivência para se transformar em consumidora efetiva — e elas têm um imenso papel a cumprir nesse sentido. Compete às empresas e ao poder público conjuntamente liderarem as soluções.


👉 Artigo retirado de Jornal da USP

 
 
 

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