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Sociedade civil participa dos eventos paralelos da V Cúpula do BRICS

quarta-feira 10 de abril de 2013

Organizações da sociedade civil brasileira, participaram entre os dias 22 a 28 de março em Durban, na África do Sul, dos eventos paralelos à realização da V Cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), “Os BRICS vistos de Baixo” – tradução para o inglês dos “BRICS from Below”. Os objetivos dos representantes dos movimentos e organizações da sociedade civil ali presentes foram os de intercambiar informações e refletir de forma crítica sobre a cúpula dos cinco poderes globais emergentes.

Diversos temas foram debatidos por pessoas vindas de diversos cantos do mundo, podendo-se destacar as mudanças climáticas, energia, o tipo de desenvolvimento que se almeja alcançar, o banco dos BRICS, a participação social, a relação entre o Fórum Social Mundial – que estava acontecendo simultaneamente em Tunis – e Os BRICS vistos de Baixo, entre outros.

Nathalie Beghin, coordenadora da assessoria política do Inesc, participou de seis eventos que fizeram parte das atividades paralelas. Entre os assuntos abordados estiveram: as perspectivas e responsabilidades da sociedade civil, as negociações para a criação do Banco dos BRICS, a necessidade de divulgação de informações e produção de análises sobre o bloco, entre outros.

Um dos temas tocados pela sociedade civil é que os BRICS ainda não fazem parte da agenda das organizações, além de não existir qualquer abertura dos países para a participação social. “É absolutamente inaceitável que os BRICS tenham criado um fórum acadêmico e um fórum empresarial e que não haja qualquer sinal de instalação de instância de concertação com organizações e movimentos sociais. Até o Brasil, que entre os cinco é o país mais aberto ao diálogo, não tem realizado qualquer processo de ’ausculta’ interna sobre o tema. Essa postura estado-centrista associada a uma extrema abertura para o setor privado é muito preocupante”.

Outro problema sério apontado pelas organizações é que os BRICS representam a renovação do capitalismo excludente, especialmente no continente africano. “É preciso mobilização em massa para impedir esses processos de exclusão econômica, social, política e ambiental”, ressalta Nathalie.E continua: “Os resultados dos projetos de infraestrutura e de agricultura, entre tantos outros, empreendidos por governos e empresas dos BRICS em países em desenvolvimento estão resultando em terríveis violações de direitos humanos revelando que, até o momento, os BRICS não se anunciam como alternativa alvissareira para o que aí está. E mais do mesmo, podendo ser até pior”.

Contudo, alguns avaliam que o bloco pode representar uma força contra-hegemônica, na medida em que reúne poderosas nações emergentes que abalam as desiguais relações de poder prevalecentes até hoje entre o Norte e o Sul. O debate está em aberto e cabe agora aos movimentos e organizações da sociedade civil monitorar a atuação do bloco, lutar por espaço, denunciar seus malfeitos e se preparar para a próxima Cúpula que será no Brasil, em 2014.

Fonte: INESC

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