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Quintais Amazônicos

sábado 15 de fevereiro de 2014

O Núcleo de Apoio à Pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia em Rondônia (NAPRO/Inpa/ MCTI) firmou acordo com o Centro de Estudos da Cultura e do Meio Ambiente da Amazônia (Rioterra) para apoiar a implementação do projeto Quintais Amazônicos. O projeto consiste em ações para recuperação de áreas degradadas por meio do desenvolvimento de sistemas agroflorestais.

Lançado no início deste mês (4), o projeto tem por objetivo apoiar o desenvolvimento sustentável de pequenas propriedades rurais e assentamentos da reforma agrária em Rondônia. Durante quatro anos, espera-se que 500 hectares de áreas degradadas ou alteradas sejam recuperadas e gerem renda a partir do plantio e da realização de pesquisas de culturas selecionadas e adaptadas ao tipo de solo e clima da região.

A proposta é que o projeto possa atender, direta e indiretamente, cerca de 6 mil agricultores de Itapuã do Oeste, Cujubim e Machadinho d’Oeste, municípios inseridos no chamado arco do desmatamento de Rondônia.

 

"O Inpa coordenará o eixo da Pesquisa e desenvolvimento Agroflorestal do projeto, no qual pesquisadores do instituto vão colaborar com a implantação, acompanhamento e avaliação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em pequenas propriedades rurais", disse o representante do NAPRO/ Inpa, o pesquisador José Maria Thomaz Menezes.

Além do Inpa, outras instituições apoiam o projeto, como a Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam); Prefeituras de Itapuã do Oeste, Cujubim e Machadinho; Universidade Federal de Rondônia (UNIR); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O projeto Quintais Amazônicos receberá o investimento de R$ 10 milhões, sendo R$ 9,2 milhões oriundos de um projeto que o CES Rioterra aprovou junto ao BNDES e quase R$ 1 milhão de contrapartida.

 

Capacitação

O projeto irá promover cursos de capacitação voltados à geração de renda para cerca de 600 pessoas. Também serão realizadas oficinas e trabalho em campo com os produtores rurais, além do fornecimento de mais de 1 milhão de mudas de diversas espécies úteis no uso da agricultura familiar, como espécies agrícolas e florestais, a exemplo da castanha-do-brasil, açaí, pupunha, mamão, banana e abacaxi.

As atividades passarão por acompanhamento e avaliações que serão feitas através de medições periódicas. Elas servirão para sistematizar os estudos de viabilidade econômica e difundir a prática agroflorestal na região.

 

Além de proporcionar alternativas produtivas e ganhos econômicos, o projeto facilitará o acesso dos produtores a possíveis linhas de crédito ao realizar Cadastro Ambiental Rural, permitindo a regularização do imóvel junto às instituições de controle ambiental. O projeto também contribuirá para a segurança alimentar, mediante a diversificação da cultura familiar, hoje baseada predominantemente na monocultura de café e na pecuária de leite e corte. Os produtos resultantes do cultivo dos SAFS poderão ser comercializados nas feiras locais e outros mercados de produtos agrícolas.

 

"São metas estratégicas e integradas entre si, para garantir a recuperação de áreas alteradas a partir da inserção de práticas economicamente atrativas aos produtores e ambientalmente sustentáveis", contou a presidente do CES Rioterra, Fabiana Gomes, de acordo com as informações divulgadas pela assessoria.

 

Sistemas Agroflorestais (SAFS)

Sistemas agroflorestais são formas de uso da terra com alternativas que visam culminar no aproveitamento econômico, social e ambiental das espécies da cultura local. Nesse sistema, é feita a combinação de espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou animais, de forma simultânea ou em sequência temporal e que interagem econômica e ecologicamente. Este sistema busca otimizar a produção por unidade de área, com o uso mais eficiente dos recursos (solo, água, luz, etc.), da diversificação de produção e da interação positiva entre os componentes.

 

Um aspecto que determina a sustentabilidade desses sistemas é a presença das árvores, que têm a capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando-os eficientemente e proporcionando maior cobertura e conservação dos recursos edáficos (do solo).

Os SAFS fazem parte das diretrizes centrais de desenvolvimento rural sustentável. Eles podem ser implantados em áreas alteradas por atividades agrícolas malsucedidas, contribuindo para a redução do desmatamento de novas áreas de floresta.

(Camila Leonel/ Assessoria de Comunicação do Inpa)

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