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"Problemas endêmicos" no caminho das empresas sustentáveis

quarta-feira 20 de fevereiro de 2013

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou hoje (15) na Argentina um apelo aos países da América Latina para que enfrentem os “problemas endêmicos” que inibem o desenvolvimento das empresas sustentáveis, como os relacionados com a alta informalidade e baixa produtividade, no âmbito dos esforços que são realizados para gerar mais e melhores empregos.
“Sem empresas sustentáveis não haverá trabalho decente e sem trabalho decente não haverá empresa sustentável”, advertiu a Diretora da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, ao participar da apresentação de um relatório sobre este tema na sede da União Industrial Argentina (UIA).
Na apresentação do relatório estiveram presentes Daniel Fuentes de Rioja, vice-presidente da Organização Internacional de Empregadores (OIE), e Brent Wilton, Secretário-geral da OIE.
O relatório sobre “O desafio da promoção de empresas sustentáveis” diz que o setor privado gera cerca de 200 milhões de empregos na região, o equivalente a 79 por cento do total de postos de trabalho disponíveis, através de 59 milhões de unidades produtivas, ainda que a grande maioria destas unidades, cerca de 48 milhões, sejam empreendimentos unipessoais.
Existem 11 milhões de negócios ou empresas de diversos tamanhos que contratam trabalhadores na região, das quais 2,5 milhões têm mais de 6 trabalhadores, acrescenta o relatório da OIT, intitulado “O desafio da promoção das empresas sustentáveis na América Latina e no Caribe”.
“Temos que fazer mais pelo desenvolvimento de empresas geradoras de empregos de qualidade, que sejam sustentáveis e viáveis, com acesso a mercados e financiamento, com facilidades para atuar na economia formal, porque esse é um dos principais caminhos para impulsionar o crescimento econômico e avançar no desenvolvimento”, explicou Tinoco.
“Enfrentamos problemas endêmicos que inibem o desenvolvimento deste tipo de empresa”, acrescentou a Diretora da OIT. Destacou os problemas de alta informalidade e de baixa produtividade, de persistência da pobreza e desigualdade, os da insegurança dos cidadãos, como aspectos que devem ser enfrentados por políticas estratégicas.
“Ninguém pode negar que a América Latina passa por um momento auspicioso com crescimento econômico sustentado e queda do desemprego urbano a mínimos históricos de 6,4 por cento em média, e consolidação democrática”, destacou Tinoco. Mas ao mesmo tempo disse que os formuladores de políticas devem estar atentos a numerosos assuntos pendentes.
Disse que, apesar da queda do desemprego, a informalidade afeta quase 50 por cento dos ocupados, e que 40 por cento não têm nenhum tipo de cobertura de proteção social em saúde ou aposentadorias. Persistem as desigualdades que desfavorecem as mulheres ou os jovens com taxas de desemprego mais elevadas e menos oportunidades de empregos formais.
Com relação à produtividade, disse que “é muito baixa nesta região comparada com a de outros lugares do mundo apesar dos bons resultados econômicos” e acrescentou que nas economias latino-americanas convivem setores que geram alta produtividade e pouco emprego com outros que oferecem numerosos postos de trabalho, mas não conseguem elevar sua produtividade.
“Devemos encontrar a maneira de impulsionar uma articulação produtiva e pôr em prática medidas que permitam aumentar a produtividade, que é essencial para repartir de forma mais eficiente os benefícios do crescimento econômico”, afirmou.
O relatório da OIT destaca que o desenvolvimento de empresas sustentáveis na América Latina também depende de segurança jurídica, da agilização de trâmites, de políticas econômicas estáveis e de sustentabilidade do meio ambiente.
Entre os problemas estruturais detectados pela análise se destacam a necessidade de impulsionar áreas como o desenvolvimento tecnológico, o acesso a serviços financeiros, a inovação, a simplificação da regulamentação, da infraestrutura, da educação e da qualificação.
O estudo diz que iniciar um negócio na América Latina ou Caribe pode demorar 71 dias em média, diante dos 12 dias em países de alta renda da OCDE. Os procedimentos para pagar impostos podem demorar 497 horas na América Latina e no Caribe em 186 horas nos países da OCDE.
Estes países da OCDE também investem seis vezes mais que a América Latina e o Caribe em pesquisa e registram 51 vezes mais patentes.
A OIT é a única organização tripartite do Sistema das Nações Unidas e cada um de seus 185 Estados Membros está representado por governos e por organizações de trabalhadores e de empregadores.
“O diálogo social bipartite e tripartite é essencial para o progresso das empresas, para os processos de inclusão social e para a obtenção do desenvolvimento econômico sustentável”, acrescentou Tinoco.
A estratégia de promoção de um meio ambiente propício para as empresas sustentáveis foi lançada em nível global em 2007 depois que os interlocutores tripartites da OIT realizaram um debate e aprovaram uma resolução sobre o tema na Conferência Internacional do Trabalho daquele ano em Genebra.
Veja mais sobre o tema em http://www.ilo.org/americas/publicaciones/WCMS_204925/lang—es/index.htm

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