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Pequena empresa não ganha eleição

sábado 21 de janeiro de 2012, por Paulo Feldman

Cerca de 60 mil empresas representam 80% do PIB brasileiro, enquanto 6 milhões de empresas -as pequenas e microempresas- representam apenas 20%. No ranking de concentração da renda das famílias, estamos entre os 20 piores países do globo. No ranking de concentração de renda das empresas, ficamos em primeiro lugar entre os piores.

Na Itália e na Alemanha, por exemplo, as pequenas são responsáveis por 60% do PIB. Por nesses países o espaço das pequenas empresas é tão maior? A resposta está nas politicas públicas para apoiar e favorecer os pequenos. Sem políticas assim, o Brasil é o paraíso das grandes empresas.

Nem mesmo países que embarcaram em modelos que pregavam que o governo não deveria intervir na economia foram tão cruéis com as suas pequenas empresas.

O Reino Unido, por exemplo, tem uma lei que obriga os organizadores dos Jogos Olímpicos de Londres a privilegiar contratações de produtos, serviços e obras de pequenas e microempresas.

Por que, no Brasil, as obras de estádios e de infraestrutura não podem ser direcionadas para as pequenas construtoras?

Cerca de 45% das exportações italianas saem das pequenas e microempresas. No Brasil, esse valor não chega nem sequer a 2%. A diferença é que na Itália existe uma lei que estimula a associação de pequenas empresas em consórcios voltados para a exportação.

Por que será que nunca nenhum legislador brasileiro pensou em fazer algo parecido por aqui? Certamente porque a sua campanha eleitoral não recebeu recursos de pequenos empresários.

Pequenos empresários não têm a mínima possibilidade de apoiar campanhas eleitorais, pois estão permanentemente correndo o risco de ter de fechar as suas portas. O pequeno empresário brasileiro só consegue pensar na sobrevivência da sua empresa. Dela depende o sustento da sua família.

No Brasil, simplesmente não existe financiamento de longo prazo para pequenas empresas, imagine então microcrédito. Com isso, o pequeno empresário está proibido de crescer. Se quiser que isso aconteça, ele terá que bancar o crescimento com o seu próprio capital -capital que, em geral, não existe.

As democracias mais consolidadas e tradicionais são aquelas que não permitem o abuso do poder econômico. São os casos da Holanda, da Alemanha e da Suécia. Nesses países, as campanhas eleitorais são modestas. Não há nenhuma ostentação ou exuberância publicitária. Por essa razão, são justamente esses os países com os menores índices de corrupção no mundo, segundo a Transparência Internacional.

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