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Parcerias do Mercosul com União Europeia e China não podem prejudicar os pequenos negócios, diz Miletto

quarta-feira 12 de dezembro de 2012

A Almpyme Brasil participou da Cúpula Social do Mercosul em Brasília, encerrada dia 6 de dezembro, e acompanhou com preocupação os encaminhamentos feitos no dia seguinte, durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, que reuniu presidentes do bloco, à excessão de Hugo Chaves, ausente por motivos de saúde. Um comunicado divulgado após essa reunião no Itamaraty apontou para o estreitamento das parcerias com a União Europeia e a China, para aumento do comércio do bloco com as duas regiões e investimentos recíprocos.

O documento denominado Comunicado Conjunto dos Presidentes dos Estados Partes do Mercosul foi assinado pelos presidentes Dilma Rousseff, José Pepe Mujica (Uruguai), Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Donald Ramotar (Guiana) e Desi Bouterse (Suriname), além do ministro de Minas e Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, da vice-presidenta do Peru, Marisol Cruz, e dos vice-chanceleres Alfonso Silva (Chile) e Monica Lanzetta (Colômbia).

As sinalizações da Cúpula em direção a possíveis acordos livre comercio, em desvantagem para o Brasil, é motivo de atenção da Alampyme, preocupada em evitar novas avalanches contra as pequenas empresas, como as que foram provocadas pela entrada dos grupos Walmart e Carrefour, que praticam preços baixíssimos a custa do rebaixamento da remuneração da cadeia produtiva em países pobres, gerando desemprego e tornando a economia dependente dos grandes capitais.

Em defesa das ações para o fortalecimento das relações entre o Mercosul e a China, os presidentes citaram a promoção de uma missão comercial conjunta a Xangai e de reunião de representantes governamentais, em novembro de 2012. A China está hoje entre os principais parceiros de todos os integrantes do Mercosul.

"Não sabemos o que está sendo negociado e podemos estar caindo em uma nova ALCA. É preciso que os governos tenham maior transparência nessas negociações e que a sociedade seja escutada e possa opinar.", diz o presidente da associação, Sergio Miletto. "Pelos boatos não passa de mais um esforço para fortalecer o agronegócio brasileiro e a contrapartida seria a entrada de mais empresas prestadoras de serviço".

Enquanto as visitas comerciais e diplomáticas prosseguem, como a missão comercial a Xangai, em dezembro último, e a viagem da Presidenta Dilma à França, reforçam relações do Brasil em diversas áreas de parcerias, a liberalização do mercado interno para grandes negócios transnacionais em troca de mercado externo para os produtos agrícolas pode acabar entrando nos acordos sem muito tempo para a sociedade avaliar.

Em novembro, dez das maiores associações do setor agrícola enviaram cartas aos ministros cobrando a negociação de acordos entre os blocos, especialmente aproveitando os atrativos do mercado interno brasileiro para os europeus. Uma consulta pública aberta em setembro pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) rebvelou grande interesse do empresariado brasileiro. A próxima reunião da Camex, ainda neste mês, deverá decidir a estratégia a ser seguida dentro do Mercosul e com os europeus.

Representantes do Mercosul e da União Europeia (UE) terão um encontro no fim de janeiro, às margens da reunião da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e caribenhos (Celac), em Santiago. O Brasil deve propor que a reunião com os europeus, em lugar de ministerial, como no ano passado, seja em nível de presidentes. Ainda não há sinais de interesse da parte da Venezuela e da Argentina, em comparação à movimentação brasileira e á defesa de abertura pelo presidente uruguaio, José Mujica, presidente temporário do Mercosul até julho.

"É preciso que o Governo diga claramente o que está negociando para sabermos quem vai pagar esta conta. Sabemos que normalmente quem paga são os mais fracos e mais pobres", alerta Miletto.

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