Página inicial > Notícias > Clipping - ESTA SEÇÃO É SOBRA DA MIGRAÇÃO > Novo escândalo derruba diretor executivo do banco Barclays

Novo escândalo derruba diretor executivo do banco Barclays

terça-feira 3 de julho de 2012

Londres - O sobrenome – Diamond – parece marcá-lo para o reluzente mundo dos multimilionários. Segundo seus admiradores, Bob é um Midas que transforma tudo o que toca em ouro. Segundo seus detratores, é o rosto mais emblemático de um capitalismo financeiro convertido em roleta descontrolada capaz de derrubar a economia mundial com suas apostas. A corrente especulativa acabou carregando-o: Robert “Bob” Diamond renunciou nesta terça-feira (3) como diretor executivo do Barclays. Na quarta comparece ao Parlamento britânico e, segundo os rumores, prepara uma vingança de dragão ferido: apontar seu dedo para o vice-presidente do Banco Central da Inglaterra.

Com a última bonificação especial de 18 milhões de dólares, Diamond terminou ganhando mais de 50 milhões o ano passado, o que autoriza o título dado a ele de mago das finanças (pessoais). Como diretor executivo do Barclays sua estrela se eclipsou abruptamente na semana passada quando o banco pagou mais de 400 milhões de dólares de multa por manipular a taxa de juro interbancária entre 2005 e 2009. As ações do banco caíram 15%, o que significou cerca de 7 bilhões de dólares apagados da cotação da empresa nas bolsas de valores. O Midas que havia erguido do nada o poderoso Barclays capital – braço investidor especulativo do Barclays – começava a converter tudo o que tocava em barro.
Não foi o primeiro escândalo do Barclays sob sua direção. O banco tem que pagar mais de dois bilhões de dólares em multas pela venda fraudulenta de um seguro, o IPP, que dezenas de milhares de clientes adquiriram sem saber, como parte da compra a crédito de um produto. Como usuário prolífico de paraísos fiscais, com mais de 300 subsidiárias na Ilha de Mann, Jersey e nas Ilhas Cayman, o banco teve que admitir no ano passado que havia pago 113 milhões de libras em impostos apesar de seus lucros chegarem aos 12 bilhões de dólares: uma carga de impostos de 1% (o imposto corporativo correspondente era de 28%).

Um diamante mais humilde?
A reação de Diamond a esses escândalos foi tipicamente arrogante: atacou as autoridades por sua “inapropriada” intervenção. Hoje o tom é mais humilde. Em sua carta de renúncia, Diamond indicou que sua motivação “foi sempre fazer o melhor pelo Barclays” e que “estava profundamente decepcionado pela impressão criada pelos fatos da última semana”.
Seu comparecimento perante o comitê parlamentar nesta quarta-feira será seguida com lupa pelos britânicos, hoje tão fartos dos banqueiros quanto estavam fascinados antes da crise de 2008. No ano passado, Bob Diamond, recém-nomeado diretor executivo do banco, provocou um furor público ao declarar no mesmo comitê que havia chegado a hora de “virar a página e terminar com o ataque aos banqueiros que são indispensáveis para a marcha econômica de um país”.
É difícil que assuma uma postura de confronto desta vez. Como costuma acontecer nas grandes corporações, um ponto central para a investigação parlamentar será determinar quanto a direção da instituição sabia da conduta de seus empregados, esses “traders” que, segundo os e-mails divulgados na semana passada, trocavam promessas de sessões com o melhor Champagne para agradecer alterações dos dados que usavam para fixar a taxa de juros.
Diamond disse que não sabia de nada, mas no fim de semana veio a público que, em plena crise financeira de 2008, ele havia falado com o vice-presidente do Banco Central da Inglaterra, Paul Tucker, sobre os dados que os bancos aportavam para fixar essa taxa, chave para determinar a saúde de uma entidade financeira e o valor de bilhões de dólares em transações em todo o mundo. Na segunda-feira à noite, a BBC acrescentou suspense a essa estelar aparição parlamentar ao insinuar que havia e-mails entre Tucker e Diamond que sugeriam que o Banco Central da Inglaterra estava disposto a fazer vistas grossas sobre os dados aportados pelo banco até que passasse a tormenta.
Impacto sobre a estratégia econômica
O escândalo deixa marcas também na cambaleante estratégia econômica da coalizão conservadora-liberal democrata. Com o Reino Unido em recessão, o governo do primeiro ministro David Cameron, que não quer recuar em sua estratégia de implementação de um ajuste radical, está impulsionando uma nova impressão de dinheiro eletrônico por parte do Banco Central que iria aos bancos privados para azeitar o crédito à produção e ao consumo.
A estratégia não é nova e o resultado, até o momento, duvidoso. O Banco Central imprimiu mais de 400 bilhões de libras (700 bilhões de dólares), mas segundo a pequena e média empresa britânica estes fundos servem para socorrer o balanço dos bancos e para emprestar às grandes empresas para que possam seguir apostando no cassino global. Se, no princípio da crise, em setembro de 2008, essa estratégia podia justificar-se porque a alternativa ao resgate bancário era a derrocada, agora que as entidades financeiras têm grandes lucros, seguem pagando grandes bonificações a seus executivos e continuam imersas em escândalos cada vez mais graves, é difícil que o governo possa oferecer um novo cheque em branco.
Fonte: Carta Maior

Notícias

Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 3.0 Não Adaptada

site criado pela