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Livre circulação para a economia solidária

quinta-feira 6 de dezembro de 2012

“Não é possível que o artesanato tenha que enfrentar os mesmos mecanismos de importação e exportação, taxas e regulamentação que os de um telefone celular. Do jeito que funciona hoje, os mesmos impostos que uma grande empresa paga, o pequeno paga também”, reclamou Shirlei Silva, do Fórum Brasileiro de Economia Solidária. Na avaliação dela, é fundamental acelerar a integração entre os países do Bloco nesse sentido. “O que propomos é a união de esforços para fortalecer organizações produtivas que não visem apenas o lucro, mas que valorizem o ser humano e respeitem a natureza”.

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A experiência da Argentina, que enfrentou a maior crise econômica da sua história em 2003, trouxe ao debate a reflexão sobre a decadência do modelo capitalista e a necessidade de se investir em sistemas produtivos mais cooperativos. “O que passou no nosso país além de fechar milhares de empresas? Nós tivemos que descobrir novas formas de organização, baseadas no trabalho coletivo. Muitas dessas empresas foram recuperadas pelos próprios trabalhadores, com responsabilidades e lucros compartilhados entre todos”, explicou Francisco Reis, da Associação Latino-americana de Micros, Pequenas e Médias Empresas.

Intercâmbio e conhecimento livre
O debate sobre a criação de espaços para a troca de conhecimentos relacionados ao comércio justo e à economia solidária também mobilizou os participantes. O presidente da Fundação do Banco do Brasil, Jorge Streit, sugeriu o desenvolvimento de uma plataforma de tecnologias sociais acessível a todos os países do Mercosul. “As tecnologias sociais compreendem um universo de práticas, métodos e produtos criados para solucionar algum problema da vida real das pessoas. Geralmente esses saberes populares podem ser reaplicados com simplicidade e baixo custo, mas com um grande benefício de transformação social”, sustentou.

Jorge também reforçou a importância de incluir as tecnologias sociais na agenda das instituições de ensino. “Se continuarmos formando estudantes que tenham uma visão exclusivamente voltada para a lógica do mercado, só teremos profissionais que sirvam a este modelo. Muitas cooperativas e organizações produtivas da economia solidária têm dificuldade em encontrar técnicos capacitados. Como trabalhar contratar para trabalhar com agroecologia uma pessoa que tenha sido formada com a cabeça do agronegócio?”, provocou.

Sob o tema “Comércio justo e economia solidária”, a oficina integrou a programação do grupo de debates “Tecnologias Sociais e Integração Produtiva”. Os resultados deste debate serão incorporados à Declaração Final da Cúpula Social do Mercosul, que será entregue às presidentas e presidentes dos países-membros do Bloco na próxima sexta-feira (7).

Fonte: Social Mercosul

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