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Incentivar a agroecologia para combater a fome

quinta-feira 6 de dezembro de 2012

Entre os participantes, uma grande consenso: o modelo do agronegócio é o principal responsável pela precarização dos alimentos. “Há um jogo internacional por trás dos produtos alimentares básicos. Podem ter certeza de que quando o preço do feijão sobe, há alguém ganhando com isso. E quando o preço baixa, há alguém ganhando também”, alertou Edélcio Vigna, representante do Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

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Na avaliação de Edélcio (à esquerda, na foto), a sociedade civil organizada cumpre um papel fundamental no enfrentamento a essa lógica. “O monopólio do atual sistema agroalimentar muitas vezes conta com o apoio de governos e instituições internacionais. Somos nós que devemos pressionar os governos por políticas públicas de segurança alimentar que promovam e ofereçam produtos alimentares sadios e baratos, livres de transgênicos e agrotóxicos”, pontuou, acrescentando que a concentração de terras continua sendo um desafio no continente.

“Quando falamos em reforma agrária na América Latina, estamos falando em confronto com as elites agrárias. Desde o ‘descobrimento’ dos nossos países são os mesmo que dão as cartas. É preciso dar um basta nisso. A terra não é para a especulação, é para a função social”, sustentou. Representando a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Lunas (ao centro, na foto) reforçou esse ponto de vista. “Aqui no Brasil, apesar da maior parte da terra estar nas mãos do agronegócio, 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros não vêm dos latifúndios. São fruto da agricultura familiar”, assegurou.

Mais integração social, menos agronegócio

Superar a hegemonia agrária no continente é um desafio que os participantes do debate estão determinados a inserir na pauta do Mercosul. A Venezuela trouxe experiências positivas nesse sentido. A ativista Elisabeth Tortosa (à direita, na foto) apresentou dados sobre avanços na reforma agrária e na agricultura camponesa no seu país. “Desde 1999, houve um aumento de 80% ao acesso aos alimentos na Venezuela e 74% aos produtos da cesta-básica”, informou.

De acordo Elisabeth, esse avanço resulta de políticas públicas formuladas pela sociedade em parceria com o governo. Propriedades foram expropriadas e entregues aos produtores, responsáveis por levar comida à mesa das famílias. Também foi criada uma rede de mercados para a distribuição de alimentos subsidiados pelo Estado, ou seja, mais baratos para o povo. Essas redes enfrentaram os grandes supermercados, altamente especulativos, e já alcançam quase 50% da comercialização da cesta-básica em todo país ”, explicou.

O estímulo à agricultura de base ecológica, ao cultivo de sementes crioulas e aos conhecimentos de povos tradicionais também foi apontado como prioritário pelos participantes. “Temos o desafio de transformar nossas políticas locais em políticas regionais. Precisamos nos unir. Não são os governos, por si sós, que vão se preocupar com esta questão. Os governos promovem políticas que se efetivam a partir das pressões da sociedade. Sem pressão, vamos continuar comendo agrotóxicos e a monocultura prevalecerá com suas sementes transgênicas”, reforçou Edélcio.

A oficina - Sob o tema “Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional”, a oficina integrou a programação do grupo de debates “Tecnologias Sociais e Integração Produtiva”. Os resultados deste debate serão incorporados à Declaração Final da Cúpula Social do Mercosul, que será entregue às presidentas e presidentes dos países-membros do Bloco na próxima sexta-feira (7).

 

Fonte: Social Mercosul

 

 

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