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Identidade na diversidade

quinta-feira 6 de dezembro de 2012

Na conversa, o Mercosul apareceu dentro do contexto continental, como parte do processo de integração que, desde o século XIX, com Simon Bolívar e José Martí, mobiliza os povos e alimenta utopias de uma única América Latina.

Construir a união dos países da região, no entanto, não significa ignorar a diversidade de rostos, cores, línguas, crenças, sotaques, histórias. “Nós temos que percorrer o continente para ir aos poucos moldando esse mosaico inconcluso que são os diferentes rostos das identidades culturais latino-americanas”, afirmou o secretário de Cultura do Distrito Federal (DF), Hamilton Pereira. Por isso, continuou, “não é possível falar de identidade cultural sulamericana ou latinoamericana. Nós temos que usar o plural. São identidades culturais”.

Identidades nacionais distintas, já dizia o coordenador da mesa, Silvio Caccia Bava, “e que às vezes ultrapassam as fronteiras nacionais e nos desafiam a buscar as pontes, as relações, as solidariedades que podem construir algo novo”. Ele apelou para a construção de valores novos que se coloquem no lugar da competição, da homogeneização e do individualismo.

Pereira começou sua fala contando a história de retirantes nordestinos de seus pais. Afinal, “pra gente definir quem é, tem que definir o lugar de onde vem”, e por isso a formação de um conceito acerca da identidade sul-americana passa pela retomada da herança econômica, social e cultural de cada país. Mas, afinal, que origem é essa? O que une esses povos? “Quem disse que somos ocidentais? Se não somos ocidentais, o que somos?, afirmou.

Segundo ele, somos um “conjunto de repúblicas fundadas pela força das armas e pelo talento de homens como Bolívar e Martí”. O Brasil, disse, é a única nação que destoa do movimento histórico que construiu a fisionomia da América do Sul, a partir de seu processo de independência pacífica e que o manteve vinculado à antiga metrópole. “No Brasil, éramos um obscuro império escravocrata”, disse. A história de escravidão fez com que se tornasse hoje o segundo país negro no mundo, atrás apenas da Nigéria, de acordo com Pereira, mas que ainda preserva a cultura escravocrata que desvaloriza tudo que a elite via como “coisa de negros”. “Para nós que estamos trabalhando as identidades históricas, isso é fundamental como um fator de afirmação”, disse.

Em comum, nossos países atravessaram ditaduras de base militar. Pereira afirmou que a união operária contra o regime catalisou os movimentos que derrotaram a ditadura e deram origem ao processo que anos depois forneceu figuras como Rafael Correa, Hugo Chávez, Evo Morales e Luiz Inácio Lula da Silva. “É o continente que desperta, que a partir dessa experiência traz consigo (Michele) Bachelet, Cristina (Kirchner), Dilma (Rousseff). Essas identidades políticas são tão importantes para conhecer a identidade histórica de cada um dos povos para que a gente possa passar para as identidades utópicas.”

Por Cristina Rodrigues para Social Mercosul

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