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Extirpando a miséria via empreendedorismo

sábado 12 de novembro de 2011, por Paulo Feldman

Nossos formuladores de políticas públicas precisam conhecer o livro, pois uma das conclusões é a de que, na grande maioria dos casos, seria impossível criar empregos para atender a todas as pessoas que passam fome.

 

E qual a saída? Estimular a capacidade de empreender. O livro cita exemplos como o de mães na índia que se tornaram exímias costureiras depois que conseguiram comprar suas primeiras máquinas de costura por meio do microcrédito, ou o de jovens que passaram a ganhar um rendimento que lhes permitiu sobreviver dignamente após terem conseguido, da mesma forma, seus laptops.

 

Fala-se muito que o povo brasileiro é criativo e empreendedor. Então por que não levamos a cabo programas como esses? Porque faltam justamente políticas de apoio ao empreendedorismo, além do fato de que o microcrédito ainda não é encarado como um instrumento de combate à miséria.

Capacidade empreendedora tem tudo a ver com pequenas empresas, pois o indivíduo que é dono de uma boa ideia se dirige ao mercado inicialmente criando a sua empresa.

Se existe um segmento empresarial que nunca teve apoio real neste país, este é o das micro e pequenas empresas. Apesar de serem 99,1 % do total e gerarem 60% dos empregos, são responsáveis por apenas 20% do nosso PIB. Ou seja, elas não têm a menor importância no contexto da nossa economia.

Em qualquer país do mundo elas recebem atenção especial. Na Itália, a legislação prevê a figura do consórcio, que é um grande estímulo para que elas se unam. Com isso, lá elas respondem por 42% das exportações. Vergonhosamente, no Brasil esse número é de 1,2%.

Todo apoio que se dá às exportações no Brasil é voltado para as grandes empresas.

Outro modelo vem sendo empregado por países da Europa: com apoio do Estado, a grande empresa fornece ao cidadão desempregado equipamentos para que ele possa desenvolver seu próprio negócio.

Há exemplos interessantes de tecelagens em que os teares foram doados a cidadãos miseráveis, que, graças a isso, passaram a ter seu próprio negócio e a vender para aquela empresa que lhes beneficiou. Até mesmo o governo cubano, que recentemente demitiu 500 mil funcionários, está propondo que estes passem a ser empreendedores, e para isso oferece incentivos.

Segundo a presidente Dilma Rousseff, sua meta até o final de 2014 é extirpar a miséria, que atinge 20 milhões de pessoas. Certamente, ela sabe que é impossível criar emprego para todas.

A presidente acaba de enviar ao Congresso o projeto de criação da Secretaria Especial da Micro e da Pequena Empresa. Esperamos que, ao privilegiar o empreendedorismo, possa contribuir com a diminuição da miséria em nosso país.

 

Paulo Feldmann é professor da FEA USP, presidente do Conselho da Pequena Empresa da FecomercioSP, diretor da Câmara de Comércio Brasil Israel e membro fundador e Conselhereiro de ALAMPYME-BR.

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