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Evento em torno do mês internacional da mulher

quinta-feira 22 de março de 2012, por Gisela Gorovitz

As mulheres, que constituem mais de 50% da população brasileira e que representam não apenas uma força de trabalho expressiva mas que também teem uma capacidade empreendedora notável, em diversos segmentos da atividade econômica, mormente na de serviços, devem ter esta energia reconhecida e contemplada , não apenas em textos de lei, mas na efetiva integração no mercado de trabalho e de oportunidades criativas.

Entretanto, não é o que tem acontecido,

A Participação da mulher no mercado de trabalho cresce, mas salário ainda é menor que o do homem, como informam DIEESE e Fundação Seade e o salário das mulheres corresponde a apenas 75,7% do que os homens recebem pelo desempenho da mesma função, muito embora , completar o ensino superior significa, de fato, alcançar postos mais qualificados e mais bem remunerados. A região metropolitana de São Paulo gerou 163 mil postos de trabalho para as mulheres em 2010, volume que foi considerado suficiente para absorver 99 mil mulheres que ingressaram na força de trabalho local. A taxa de desemprego das mulheres diminuiu de 16,2%, em 2009, para 14,7% em 2010, enquanto a dos homens passou de 11,6% para 9,5% no mesmo período.

A inserção das mulheres com escolaridade superior no mercado de trabalho também cresceu e já é maior que a dos homens. Segundo o estudo, o número de mulheres com ensino superior completo no mercado de trabalho na região metropolitana de São Paulo passou de 12,9%, em 2000, para 17,1% em 2010. Se em 2000, a maior parte da População Economicamente Ativa (PEA), com nível superior, era composta por homens (51,3%), no ano passado ela passou a ter maioria feminina (53,6%).

Além do crescimento quantitativo de mulheres no mercado de trabalho, outras oportunidades de inserção produtiva estão se abrindo para as mulheres mais escolarizadas. Apesar da educação ainda ser o principal segmento a abrigar as trabalhadoras (com mais de 20%), cresceu a participação feminina no segmento de serviços especializados (13,6%) – advogadas, contadoras e engenheiras -, superando o setor de saúde (12,4%).

Segundo Steven Pinker, psicólogo da Universidade de Harvard, o mundo seria mais pacífico se fosse governado por mulheres, pois “ao longo da história, as mulheres têm sido e serão uma força pacificadora”. Por outro lado, ele observa que as regiões do mundo em que a violência não diminuiu também são regiões atrasadas no sentido da delegação de poderes para as mulheres.

E o que dizer da participação da mulher no mundo do empreendedorismo e no mundo empresarial?

Como diz Joseph S. Nye, ex?secretario adjunto de defesa dos Usa e professor em Harvard, o líder atual tem que ser capaz de usar as redes, colaborar e estimular a participação. “O estilo não hierárquico das mulheres e a sua capacidade de relacionamento ajustam?se mais a uma liderança que agora é necessária neste novo mundo das organizações e grupos com base em conhecimento”. E ele tenta explicar por que razão há poucas mulheres em posição de liderança: falta de experiência, responsabilidades familiares em primeiro lugar, um comportamento caracterizado pela busca de acordo e flagrante discriminação, um conjunto que pode explicar a defasagem.

As medidas para a promoção das mulheres na empresa (horários flexíveis, trabalho à distancia, programas para recrutamento de mulheres, exigência de candidatura feminina para novos postos, etc), segundo pesquisa mundial divulgada pelo jornal francês LE MONDE, continuam raras.

Isto sem contar as mulheres que constituem mão de obra não qualificada e que atuam valentemente, não apenas em serviços domésticos, como também , e sobretudo mulheres migrantes, que trabalham em pequenas indústrias de confecção, muitas vezes utilizadas como mão-de-obra escrava e, portanto, sequer computadas em qualquer estudo.

E o que dizer do empreendedorismo? Empreendedor é o indivíduo que identifica oportunidades e busca os recursos para concretizá-las. Como agem as mulheres, neste segmento?

É urgente que esta informação seja mais debatida e se passe a estudar as condições de trabalho e de ascenção sócio-economica de tão importante força produtiva. 

Assim, nada melhor que um evento de modelo comemorativo e, porque não evocador de toda uma história de não reconhecimento, para se tentar fazer um diagnóstico das dificuldades que as mulheres teem para ter acesso a variados setores de atividades, trazendo o testemunho de batalhadoras e de exemplos de conquista e de sucesso, para nossa reflexão e contribuição para que esta situação venha um dia a ser definitivamente modificada, permitindo que as mulheres ocupem seu devido lugar na sociedade, em todos os campos, promovendo o progresso do país, ao lado dos homens.

 

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