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Economistas questionam planos do Brasil para Banco do Sul

sábado 9 de junho de 2012

Rio de Janeiro - Um passo a ser dado para a integração das nações da América do Sul é o Brasil abandonar sua "política subimperialista" perante os vizinhos e, de fato, fomentar políticas igualitárias. A completa implementação do Banco do Sul, lançado em 2007 por sete países da região com capital inicial de US$ 20 bilhões, e sua plena utilização é vista pelos professores de economia Carlos Eduardo Martins (UFRJ) e Jorge Marchini (Cemop/Argentina) como uma amostra para além dos discursos de novos tempos no continente.
“A carteira de investimentos do BNDES na América Latina é muito maior do que as dotações do Brasil no Banco do Sul”, disse Martins durante o debate “As Alternativas de Integração na América Latina”, que fez parte do XVII Encontro Nacional de Economia Política, realizado sexta-feira (8) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em meio à greve das instituições federais de ensino superior no País.

Martins aponta que qualquer projeto de financiamento de um modelo de integração parte do Brasil, já que ele detém quase 80% das reservas internacionais da América do Sul. “Um instrumento fundamental para isso é o Banco do Sul, mas não pode ser o Banco do Sul que o Brasil quer. Não pode ser um banco cujos fundos sejam captados no mercado. Porque para reverter a assimetria, combater a pobreza e estimular o mercado interno, o Banco do Sul não pode gerar lucro. O lucro é social”, diz o economista.
“Evidentemente esse banco vai ter que usar as reservas, a capacidade tributária e recursos públicos dos países para promover a integração. Também não pode ser um Banco do Sul aonde o Brasil coloque, por exemplo, um aporte de cerca de 0,14% de seu PIB enquanto países como o Equador colocam 2% de seu PIB”, continua ele.
Sem romantismo
Para o economista argentino Jorge Marchini, a integração latino-americana é muito mais complexa do que uma proliferação de siglas e entidades. E na atual conjuntura de crise nas principais economias mundiais, principalmente na União Europeia, “não parece ser um bom momento para se falar de integração, ‘uniões’, já que a experiência européia é aparentemente um fracasso”, diz ele.
Assim, Marchini afirma que, caso os países optem por aprofundarem um processo de integração regional, esse processo “necessariamente se passará através de novas etapas e novos desafios”. Entre as novas etapas o argentino cita o fim da queixa sobre os males do capitalismo. “Agora temos que ensiná-lo, propor alternativas com idéias não melancólicas”, diz.
Marchini se mostra cético ao afirmar “que poucos estão dispostos a esse debate para uma real integração”, mas não deixa de apontar direções. “Primeiramente, é preciso se discutir essa integração fora dos marcos comerciais, mas principalmente com ênfase no lado produtivo. Tem que haver capacidades por setores. A questão produtiva é muito complexa”, afirma.
"Um debate pendente é qual será o modelo de desenvolvimento”, indaga ele. “Como será essa integração produtiva? Qual será a política energética latino-americana?”, questiona. “E como integrar os setores técnicos e legais?”, completa.
Em conjunção com o professor da UFRJ, o economista do CEMOP concorda que a resposta dessas questões depende primordialmente do Brasil. “O momento atual espera, quase demanda uma participação brasileira mais efetiva nessa integração, com capacitações específicas a serem apresentadas e muito trabalho a fazer”, disse.

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