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Direito à memória e justiça no Mercosul

quinta-feira 6 de dezembro de 2012

Em seguida, Heloísa Starling, professora de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou um projeto multimídia sobre os mortos e desaparecidos da ditadura militar brasileira, baseado no livro “Direito à Verdade e à Memória”, lançado em 2007. O projeto foi desenvolvido na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, antes mesmo da aprovação da Comissão da Verdade brasileira. Ele conta a história de 375 personagens através de fotos, vídeos, músicas, fatos históricos e ambiente cultural da época. Também faz uma contextualização histórica, com eventos importantes na América Latina, como a Operação Condor, articulação de diferentes governos sul-americanos para reforçar a repressão às dissidências na época, ou o Golpe de Estado chileno, em 1973.

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“Pela primeira vez, em 2007, se reconheceu que pessoas foram mortas ou houve desaparecimentos forçados por obra de agentes do Estado brasileiro durante a ditadura”, disse Heloísa. Para explicar o funcionamento do site, ela mostrou a história do guerrilheiro brasileiro Carlos Marighella, morto em 1969 por agentes do regime militar.

A coordenadora latino-americana do Serviço Paz e Justiça (SERPAJ), Ana Juanche, falou sobre o processo de construção de uma comissão de investigação sobre os mortos e desaparecidos da ditadura uruguaia, sem se esquecer das críticas. “Este é um processo de disputas políticas. Não há nenhum mecanismo que obrigue os militares a declarar a verdade no Uruguai”, disse.

Assim como os regimes militares se instauraram quase simultaneamente nos países do Cone Sul nas décadas de 70 e 80, Ana também qualificou a impunidade dos criminosos desta época como um fenômeno regional. “Do México à Terra do Fogo, foi registrado um dos genocídios mais importantes da história da humanidade. E assim como a repressão, a impunidade é uma seqüela desse processo que se instalou regionalmente”, disse.

A coordenadora do SERPAJ também ressaltou uma nova situação em seu país em matéria de reconhecimento do direito à verdade, memória e justiça. “Com a chegada do presidente José Mujica ao poder, foi oficializado o processo de criação da comissão da verdade”, afirmou.

Fonte: Social Mercosul

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