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Compras públicas

Setor movimenta R$ 500 bi/ano e é fonte inesgotável de desenvolvimento local

sábado 2 de julho de 2016, por Sergio Miletto

Pequeno e microempreendedor precisam de crédito, mas, além das linhas de financiamento, eles necessitam mesmo é de clientes

Quando alguém vai à feira comprar alimentos, movimenta uma engrenagem significativa de negócios e geração de empregos diretos e indiretos. Desde o feirante que contrata auxiliares, até o pequeno produtor de hortaliças e seus ajudantes, passando pelos caminhoneiros encarregados de transportar alimentos, são milhares de pessoas trabalhando para atender aquele consumidor que está com sua sacola na feira.

Imagine agora o que acontece quando o governo vai às compras. Cálculos recentes mostram que as compras públicas no Brasil, em todas as esferas de governo, movimentam R$ 500 bilhões por ano. Somente a cidade de São Paulo destina R$ 12 bilhões ao ano para compras públicas.

É um poder de compra bilionário que não deve ser entendido como mero processo formal de busca pelo melhor preço. Vai além disso: é uma importante ferramenta para a realização de políticas públicas que tenham como objetivos a geração de empregos, a distribuição de riquezas e o fomento ao empreendedorismo.

A economia criativa vai ao encontro desses objetivos, atuando nas regiões da cidade que mais necessitam de atenção. Agrega valores e saberes. Gera autoestima e pode repercutir em tudo o que é produzido nos territórios.

O desafio das administrações públicas, que desejam criar desenvolvimento em regiões até então esquecidas, está justamente em identificar esses micros e pequenos empreendedores e lhes proporcionar ferramentas para tornarem-se aptos. Transformá-los em fornecedores!

O pequeno e o micro empreendedor precisam muitas vezes de crédito, é verdade, mas, além das linhas de financiamento oferecidas por instituições bancárias, eles necessitam de clientes. O governo pode ser o primeiro cliente desse pequeno e do microempreendedor. Com o passar do tempo, o governo pode passar a ser só mais um cliente, à medida que o pequeno negócio conquistar fatias do mercado, gerar novos empregos e consequentemente desenvolver seu território.

Para essa tarefa ser bem-sucedida é necessário formar empreendedores, levar em conta a vocação dos territórios, propor e apoiar ações comunitárias ou individuais. E finalmente promover o acesso ao crédito, criando pontes entre a população e as instituições financeiras. Sendo que esta última ação deve ser vista com muita cautela, para evitar as armadilhas do crédito fácil, que, em muitos casos, acabam endividando e “matando” o empreendimento.

Sérgio Miletto é presidente da Adesampa (Agência São Paulo de Desenvolvimento)


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