Página inicial > América Latina passa por momento positivo, mas deve enfrentar a (...)

América Latina passa por momento positivo, mas deve enfrentar a desigualdade

quinta-feira 7 de fevereiro de 2013

A América Latina passa por um momento positivo no qual existe crescimento e geração de emprego, mas ainda precisa aprofundar as medidas para combater as desigualdades que espreitam a região e que são o maior impedimento para avançar em direção ao desenvolvimento, coincidiram os participantes de uma mesa redonda convocada no Peru com a participação do Diretor Geral da OIT, Guy Ryder.
“A América Latina ainda tem um desafio da desigualdade, continua sendo uma região desigual”, disse Ryder, que esteve na capital peruana para uma visita oficial durante a qual também manteve um encontro com o presidente Olanta Humalla, com autoridades do governo e com representantes das organizações de empregadores e de trabalhadores.
A mesa redonda sobre “Crescimento, emprego e inclusão social. Para onde vai a América Latina?” contou com a participação de Alícia Bárcena, secretaria executiva da CEPAL, Adrián Bonilla, secretário geral da FLACSO, Fidel Jaramillo, representante do BID no Peru, Edgar Quispe Remón, vice ministro de Promoção de Emprego e Capacitação Laboral do Ministério do Trabalho do Peru, e da Diretora Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco.
O Diretor Geral da OIT disse que a região vai “em boa direção”, mas é importante tomar medidas para enfrentar desafios como a persistente desigualdade, a pobreza e a informalidade que afeta cerca de 48% dos trabalhadores não agrícolas.
Mesmo assim, destacou que é importante dotar de sustentabilidade o modelo econômico já que “os modelos dependentes das exportações são vulneráveis. O mercado interno também é motor do crescimento”. Ryder enfatizou que no combate à desigualdade “deve-se empregar o diálogo social”.
A mesa redonda foi convocada para discutir sobre “o caminho percorrido pela América Latina”, disse Elizabeth Tinoco. Acrescentou que neste momento a região tem uma taxa de desemprego urbano de 6,4%, que é a mais baixa já registrada e que existem indícios de melhorias na qualidade do trabalho, ainda que a informalidade continue sendo alta.
Tinoco destacou que apesar dos avanços registrados é evidente que boa parte da população não sente os benefícios destas melhorias. Considerou que “é necessário perguntar-se o que sucede quando o crescimento econômico não chega às pessoas” e disse que neste contexto “a desigualdade é perigosa”.
A secretária executiva da CEPAL concordou com a preocupação dos demais expositores a respeito da desigualdade e disse que “a igualdade é urgente”. Bárcena recordou que os dados mais recentes indicam uma importante redução da pobreza, mas alertou que na região ainda existem 168 milhões de pobres e este “é um número muito alto”.
Na última edição do relatório Panorama Social a CEPAL também fez referência às dimensões da desigualdade al indicar que as últimas estatísticas disponíveis para 18 países mostram que em média os 10% mais ricos da população latino-americana recebem 32% da renda total, enquanto que os 40% mais pobres recebem apenas 15%.
“A persistência da desigualdade gera desencanto, especialmente entre os jovens”, disse Jaramillo. O representante do BID acrescentou que existe risco para estabilidade política e institucional, ao mesmo tempo em que fez um apelo para “evitar o risco de autocomplacência” que poderia derivar dos bons resultados na região.
De acordo com os números do Panorama Laboral 2012 da OIT a taxa de desemprego juvenil urbano na América Latina e no Caribe é de 14,3%, mais do que o dobro da taxa geral e o triplo da dos adultos maiores de 25 anos.

Fonte: OIT

Notícias

Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 3.0 Não Adaptada

site criado pela